Diário de bordo – Rio de Janeiro

Chegamos ao Rio de Janeiro, cidade maravilhosa! Particularmente, adoro essa cidade, acho o Rio cheio de encantos e boas energias, sem contar a paisagem da cidade que é incrível, aí me lembro da primeira vez que fui ao Rio e pensei: “É exatamente igual a TV!” HAHAHAHA. Só que nós não fomos pra esse Rio de praia, calor e sol. Fomos para o alto da colina, lá onde ninguém tem coragem de subir, mas é sempre necessitado de bons desbravadores. Um lugar frio e mais longe que o reino de ‘Tão tão distante’. Só pra constar até agora eu ainda não entendi direito a geografia de onde estávamos, mas era mais ou menos assim: Era uma reserva ambiental na Colônia que fica dentro de Taquara, que é sub bairro de Jacarepagua, um bairro do Rio de Janeiro. Que lugar é esse? Era o Museu do Bispo do Rosário. Passei meses ouvindo o nome desse museu e sua localidade, mas era óbvio que eu não tinha noção de onde era e principalmente do que esperar desse lugar. Depois de duas horas de carro do Galeão até à Colônia, finalmente chegamos no topo da colina, e em meio à uma festa junina, conhecemos o lugar onde iríamos dormir e ministrar a oficina.foto rio 2

Para melhor compreensão é preciso explicar quem foi o homem que dá nome ao lugar: O Bispo do Rosário era sergipano, negro, pobre e no percurso de sua vida foi marinheiro, boxeador e empregado doméstico. Depois de ter uma alucinação e sair da casa de seu patrão no meio da noite para ir se apresentar à Igreja da Candelária, alegando ser um enviado de Deus, foi detido pela polícia e enviado para Colônia Juliano Moreira com o diagnóstico de “esquizofrênico – paranoico”. Lá, ele viveu 50 anos, em um dado momento ele começou a confeccionar objetos com materiais oriundos do lixo, ele desfazia seus próprios uniformes de interno para ter linha e poder construir suas obras, essa era forma dele de canalizar a loucura que o habitava.O Bispo foi considerado um vanguardista e seus trabalhos, que, quando descobertos, foram comparados com os de Duchamp.

Onde a gente tava, a final de contas? Na Colônia Juliano Moreira, claro que não é mais o mesmo prédio onde o Bispo ficou, desse aí só existem as ruínas. Mais especificamente, ficamos hospedados no Centro de Convivência, um lugar onde os internos, nos horários previstos, praticam atividades artísticas. A experiência de estar ali foi marcante, me perdi no atelier contemplando as obras produzidas por eles, coisas lindas e impactantes, coisas assustadoras e ao mesmo tempo amáveis. A arte naquele lugar é uma válvula de escape. Era notável a satisfação deles de estarem ali, todos pareciam estar muito a vontade naquele lugar.

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No dia 22 (terça) teve Rir É O Melhor Remédio lá em frente ao Museu, num anfiteatro em desuso, porém bonito e confortável. Tínhamos uma plateia cheia e bem diversificada, o espetáculo foi divertidíssimo, tudo ocorreu bem e sem nenhum problema técnico. Teve um fato engraçado, de um garoto autista que entrou na cena e meteu a mão no frango do Toli pra saber se era de verdade e o Toli acabou trocando uma asa de frango por um saco de pipocas. Na terça mesmo partimos rumo a Copacabana, pois no outro dia tinha Cada Qual no Teatro e ainda se queria curtir um pouquinho da praia pela manhã.

Na quarta a noite teve Cada Qual Em Seu Barril, no Instituto do Ator, na Lapa. Pegamos um trânsito absurdo e chegamos lá em cima do lance. E às 20h não tinha absolutamente nenhuma pessoa na plateia, foi frustrante. Sem contar conversa, peguei nosso material gráfico, chamei o Jeff, nosso produtor local no Rio, e fomos para a praça em frente abordar transeuntes e possíveis moradores do bairro, pedindo para que eles fossem assistir ao espetáculo. Logo mais desceram Toli e Pierierieca para nos ajudar nessa empreitada de conseguir público. A missão foi árdua, mas conseguimos, às 20:40 depois de muito esforço e gastar muito nosso latim, tinham cerca de 30 pessoas na plateia esperando para o espetáculo 

foto rio 1começar. O início do espetáculo foi bem frio, mas melhorou e no final conquistou vários elogios.

Ah, já ia esquecendo de contar que quando estávamos na Colônia ainda, eu e o Luciano postamos o projeto do ano que vem: Notável Marajó – navegando em sorrisos pra concorrer no prêmio Carequinha. Foi uma correria louca pra conseguir chegar nos correios do Shopping da Barra, nos 45 do segundo tempo, enviamos nossa proposta pra Funarte, agora bora vê se ano que vêm vou estar aqui escrevendo sobre Breves ou sobre Melgaço HAHAHAHA.

Preciso registrar aqui que tenho um apreço especial pelo Rio, porque pra mim é uma cidade onde revejo amigos. A essa altura do campeonato chegar em um lugar e vê rostos familiares era tudo que eu queria, já tem um mês e meio que estamos na estrada é bom ouvir outras vozes falando ‘égua’, ter pessoas com quem você têm histórias em comum, revisitar o passado, rever as fotos, relembrar daqueles dias lá na cidade velha. Isso dá um aperto no coração, mas é tão reconfortante à alma. Me alimentei do amor dos meus amigos, bebi cerveja gelada num frio desgraçado só porque eu queria estar com eles, venci a gripe, o cansaço, o sono e me estraguei mais um pouco, porque só havia esses dias para fazer isso. Se eu me sinto assim, imagina vocês que já moram longe de casa a um tempo e tanto, espero ter levado um pedaçinho de Belém para aquecê-los desse frio que está aí no Rio.

Acho que no fim das contas: o Rio de Janeiro continua lindo.

                                                                                                Adhara Belo.

Diário de bordo – Notável Salvador – OS DIAS EM QUE EU DESCOBRI O VERDADEIRO SENTIDO DO AXÉ

IMG-20140716-WA0008Saímos muito felizes de Recife, os resultados por lá foram acima das expectativas e é claro que Salvador era aguardada com muita ansiedade, afinal de contas estávamos chegando à primeira capital do Brasil: a Bahia de todos os santos, terra de Caetano, Gil, Gal, Cayme e tantos outros, sei que é piegas, mas é o que passa pela cabeça…
O voo de Recife a Salvador foi muito tranquilo. Chegamos por volta das 11h da manhã, do dia 14 de julho no aeroporto, onde encontramos a Indaiá, nossa produtora local. Ela nos embarcou numa van até o centro da capital baiana, próximo ao Pelourinho para nos hospedarmos num hotel lindo, um casarão antigo bonito e aconchegante, muito próximo a praça Castro Alves. Depois de acomodados fomos para o almoço e aproveitamos para dar uma volta. Resolvemos ir ao Pelourinho, afinal de contas em Salvador ir ao pelourinho é quase um rito de iniciação a energia daquele lugar, que é incrível. De cara, percebemos que há uma semelhança entre o paraense e o soteropolitano, ambos dominam a arte da hospitalidade, Indaiá foi incansável como cicerone respondia a todas as indagações nos mostrava tudo com muito carinho e orgulho, conhecemos o instituto Olodum o museu Jorge Amado entre muitas coisas que nossa cicerone nos mostrou, baiana arretada essa Indaiá…
Mas o melhor do pelourinho foi ter visitado o salão da negra Jhô, uma mulher incrível com um astral e uma força indescritível, quando nos aproximamos do seu salão pelas ruas estreitas do pelourinho ouvíamos de longe uma batucada, pra nossa surpresa o batuque vinha do salão de negra Jhô, lá estava acontecendo uma festa em comemoração a seu aniversário. O pequeno espaço estava tomado de pessoas se confraternizando, muita gente chegando para cumprimenta-la. E em meio a essa muvuca fomos recebidos como se fossemos frequentadores assíduos daquele espaço, de cara tivemos que entrar sambando no salão, aquele espaço era tomado por uma alegria contagiante e um licor de graviola delicioso, Salvador já no primeiro dia mostrou que superaria nossas expectativas. Voltamos para o hotel para tomar um banho e seguir pro nosso primeiro compromisso em Salvador, um encontro com a Outra Companhia de Teatro para um bate papo, que aconteceu na Casa d’a Outra, um espaço que a companhia mantém no centro de Salvador. Na conversa acabamos por descobrir a história do local e a luta diária da companhia para manter seu repertório e de quebra resgatar a dignidade do bairro onde escolheram trabalhar, bairro que no passado havia sido abrigo de cinemas e até um teatro o Polyhteam baiano. Esse bairro que no passado foi tão movimentado, na atualidade sofre com a ausência do poder público que relega aquele espaço ao descaso embora fique localizado no coração da cidade, como havia dito é ali que A Outra desenvolve suas atividades realizando temporadas de seus espetáculos e uma ação maravilhosa que tenta restabelecer a dignidade daquele espaço, essa ação é o movimento POLI-TE-AMA, que consiste em manter uma programação com três espetáculos teatrais e um show musical naquele espaço, os espetáculos acontecem a partir de quarta feira na sobreloja do centro comercial POLITEAMA e o show musical as quintas feiras na calçada do centro comercial. Toda essa programação acontece num esquema PQQ (Pague Quanto Quiser), ou seja o espectador resolve o quanto vai pagar pelo espetáculo. A conversa foi muito legal  e refletimos sobre a importância de um espaço no processo criativo do grupo, conversamos sobre as parcas políticas públicas para o movimento teatral no Brasil e descobrimos que nossas dificuldades são bem parecidas (como se isso fosse novidade). A conversa estava muito boa, mas depois de um início intenso em Salvador tava na hora de descansar, afinal de contas na quarta feira pela manhã tínhamos um encontro no espaço Xisto Bahia com a galera que se inscreveu na oficina, uma turma bem legal que mergulhou no processo de cabeça alguns já com alguma experiência na arte da palhaçaria e outros iniciando na linguagem, no primeiro dia já deu pra perceber que aquela turma iria dar bom caldo e bem apimentado…

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Ainda na quarta feira voltamos à casa d’a Outra para assistir o primeiro dos três espetáculos oferecidos pela casa. “D. Coca” é um solo do ator Luiz Buranga e conta a hilária estória de dona Conceição uma vendedora ambulante que trabalha em frente a um hospital público e que tem consulta marcada naquele dia e na fila de espera do atendimento vai narrando seu cotidiano de forma muito bem humorada, um espetáculo massa (como diz o baiano). Na quinta feira, por questões técnicas a nossa apresentação do “Rir é o melhor remédio”, que seria na praça do Campo Grande, foi transferida para o calçadão do POLITEAMA agregando-se a programação da Outra que teria naquele dia música de quinta, um show musical com repertório variado que vai do brega ao rock num movimento que agrega teatro depoimentos, poesia e musica, logo após a quinta musical rolou o espetáculo Borrado (de como o tempo te revela) esse belo trabalho acontece no corredor do prédio construindo um espaço onde atores e plateia tratam das questões de gênero e identidade de forma bem generosa a direção de Luiz Antonio Jr e delicada e precisa, a atuações de Anderson Danttas e Luiz Antonio são irrepreensíveis, é um lindo trabalho…
Não tivemos a oportunidade de assistir o espetáculo de sexta, pois ele coincidiu com o a apresentação de “Cada Qual em Seu Barril”, no teatro Gamboa Nova –  aliás um espaço maravilhoso revitalizado em 2007 mas que surgiu em 1974, esse pequeno teatro fica na ladeira dos aflitos e só é pequeno fisicamente, porém de uma grandiosidade inexplicável, o Gamboa é lindo e aconchegante. Pra completar tem uma vista maravilhosa, sim senhores, a mais bela paisagem da Bahia de todos os Santos fica no palco do Gamboa Nova, acontece que no fundo do palco por traz da rotunda tem uma parede de vidro que proporciona ao privilegiado ocupante daquele palco uma visão estonteante do mar. A equipe técnica do teatro sabe muito bem como surpreender quem ocupa aquele palco, eles simplesmente abriram aquela rotunda quando estávamos no palco como se fosse comum ver o mar no fundo do palco de um teatro como se fosse uma projeção, ficamos simplesmente encantados ainda fomos presenteados com uma apresentação do ator Ruy Zé que participou da nossa oficina nos presenteou com algumas de suas inúmeras personagens entre elas a Edithe que Piava… Não tinha como não fazer uma grande apresentação digna daquela casa, e de fato a apresentação daquela noite foi mágica.
Se havia uma grande expectativa de nossa parte em saber como seria nossa temporada em Salvador, a Soterópolis não se fez de rogada superou todas elas, nos mostrou que o significado da palavra Axé vai muito alem do seu sentido semântico. Se na língua iorubá, Axé significa poder, energia ou forças presentes em cada ser ou em cada coisa, e nas religiões afro-brasileiras, o termo representa a energia sagrada dos orixás. Já que o axé pode ser representado por um objeto ou um ser que será carregado com a energia dos espíritos homenageados em um ritual religioso.
Dentro e fora do contexto religioso, Axé é uma saudação utilizada para desejar votos de felicidade e boas energias, tudo isso é fato, mas para nós é tudo isso e muito mais Axé é ver o lindo sorriso da negra Jhô que em seu salão recebe a todos com respeito e generosidade, é andar no pelourinho acompanhado da atenciosa Indaiá, é assistir D. Coca causando no calçadão da POLITEAMA, é ser de quinta cantando e dançando feliz sabendo que POLI-ME-AMA também, Axé é se emocionar com Borrados e ver como o tempo nos revela, é ver A Outra Companhia de Teatro assumir para si o que seria obrigação do poder público, é ver a batalha de Ruy Zé e seu compromisso com Pau da lima, é ver seu Arlindo receber todos com muita alegria em seu restaurante, Axé é ver a Bahia de todos os Santos do palco do Gamboa Nova, Axé e sair de Salvador com a certeza de que vale a pena fazer o que fazemos…

Até a próxima!
por João Guilherme Ribeiro

Diário de bordo – Notável Recife – “Arrumadinho” e “Dasarrumadinho”

IMG-20140714-WA0038Charque, farofa, vinagrete, feijão da colônia tudo isso em uma bandeja, “ajustadamente”, é uma comida popular de Recife, o famoso arrumadinho, onde em todas as nossas refeições pelo menos um de nós a comia, um cheirinho inconfundível e inigualável. Mas só faltou o açaí pra comer com o charque! Ráá!!

Do centro irradiador da nação como se referia à Brasília a grande e irradiante Dulcina de Moraes, chegamos a Recife depois do frio de Brasília, logo sentimos o calor marejado da madrugada recifense, fomos recebidos pela LUINAR Produções que por aglutinação significa o nome dos dois produtores locais os apaixonados Luiz e Naruna, indicados pelo grande Romualdo Freitas do Acre. Do Aeroporto internacional dos Guararapes seguimos mais ou menos 40 minutos até o Hotel Samburá na beira mar de Olinda, aliás, tivemos isto como um presente encantador, uma vista impecável do oceano que pulverizava de água nossos narizes que estavam carentes disso devido o clima seco do centro-oeste, já que a umidade relativa do ar em Recife é consideravelmente maior que o de Brasília.

Ficamos em Olinda como disse, margeado de um mar verde-esmeralda, lugar lindo, Olinda é um lugar histórico, lugar de ladeiras e casarios antigos, azulejos, ruínas, igrejas seculares a “Olinda” esbanjava história ao dobrar de cada canto, dos quatro cantos à suas ladeiras, isso me deixava curioso por saber das histórias que permeavam aquele lugar, lugar que tão poeticamente lia-se na beira-mar em um desses monumentos “pra turista ver”, lá um trecho do poema de Marcos Freire:

Olinda, cidade mulher

Que pariu outras cidades.

Olinda, cidade rainha,

Que amamentou seu primogênito, O Recife,

E terminou cedendo-lhe o cetro

De capital de Pernambuco.

É! Olinda trás em sua história, disputas de territórios, incêndios, lutas políticas, enfim, muita coisa! O importante é que hoje Olinda é um grande museu passeando pelas suas ruas já se nota, nós Notáveis Clowns ficamos encantados com a cultura da cidade, tudo arrumadinho!.

Olinda e Recife são duas cidades coladinhas, do Hotel Samburá até o local da oficina era mais ou menos uns 20 min. até o SESC-Recife local que gentilmente nos foi cedido pra oficina e apresentação do Espetáculo, um lugar altamente equipado e cheio de muitas coisas, academia, restaurante e um Teatro Experimental muito bacana, o “Teatro Mario Camarotti”. Na frente do Sesc tinha uma grande praça, não tão frequentada, chamada de Campo Santo, vai ver que era porque é bem do lado do cemitério, ráá! Pois bem, lá foi “O Rir é o melhor remédio” o nosso espetáculo de rua.

Recife e Olinda, apesar de duas cidades (geograficamente falando), pra mim não parecia ter uma fronteira efetiva que demarcasse , hoje me parece que dialogam como bem disse Marco Freire, como a mãe e a filha, em uma união estável (foi o termo que me ocorreu) ráá! Bom, preciso contar de uma outra experiência também, saindo desse centro histórico dessa beleza aparente, eu fui rever grandes amigos que hoje moram em Pernambuco, em Cabo de Stº Agostinho, mais ou menos 50 min do centro, um lugar de morro que tem bem próximo a Praia de Guaibú, uma cidade sem tantos prodígios de outras cidades, digo centro histórico, etc, muito pelo contrário um lugar popular onde muitos nortistas e nordestinos após conseguirem um trabalho escolhem pra morar, com um custo de vida mais barato. Eu conheci o estado por um outro olhar, sem tantos monumentos ou centro histórico, mas a própria história contemporânea do Estado de Pernambuco, o lado “desarrumadinho”, como toda grande cidade! E que vi, vivi, ouvi e contei! Ráá!

Arthur Mariana Neves

Diário de bordo – Notável Liquidificador – De como a vida é um sopro

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Aos teatreiros que conheci e ainda ei de conhecer do Oiapoque ao Chuí, humildemente peço desculpas! Mas, dentre todas as cidades que compõem nossa circulação, há que me deixava mais curiosioso e insanamente inquieto de desvendar era Brasília. A imponência antecipada (pelo menos em meu imaginário) de ser a capital do país. A cidade projetada no meio do “nada”. Os traços de Niemeyer riscados através do concreto armado que se confudem ao céu azul e horizontal da cidade. A louca de pedra da “Dulcina de Moraes” que no auge de sua carreira abandona a cena carioca e funda a primeira e mais antiga escola de teatro do Brasil (ainda em atividade). Como não poderíamos perder a oportunidade aproveitamos a ocasião e fomos ao Teatro Dulcina assistir ao espetáculo “Trabalhos de Amor Pedidos”, resultado de uma turma que estava concluindo o curso de Bacharelado em Interpretação. Foi uma apresentação histórica, carregada de boas energias por parte do elenco e com uma plateia de respeito lotando o teatro. O fato é que a Faculdade Dulcina de Moraes passa por uma baita crise financeira e estava ou ainda está, creio que não se pode ainda afirmar ao certo, correndo o risco de ser fechada. Mas o melhor ficou para o final, quando o elenco de mãos dadas deu um grande salve a Dulcina de Moraes e aquele palco da vida, anunciando que estavam abertas as inscrições para o vestibular, ou seja, a Faculdade Dulcina, felizmente, ainda tem suspiros a dar. Lembrei de quando fiz o filme do Norte Teatro Escola do Pará, e tentei imaginar de como não teria sido a participação do grupo no III Festival de Teatro de Estudantes levando o Pic-nic no Front, de Fernando Arrabal / 1960. Pensei na loucura que foi as mais de 40 delegações de todos os cantos do Brasil desembarcando na capital ainda em obras, e ainda sendo recebidos no planalto central pelo então presidente da república – Juscelino Kubitschek. E é claro que não da pra esquecer de uma das fotos que mais curto do filme que é a dos ilustres e generosos artistas Maria Sylvia Nunes e Paraguassú Éleres, quando ainda jovéns posavam sentadinhos e sorridentes no gramado da praça dos três poderes. E a parte musical dessa cena? Aí não dava outra. Em meu ouvido interior, na rádio local da minha cabeça, só tocava Renato Russo e a Legião Urbana, Plebe Rude, Móveis Coloniais de Acajú, e em repetidas vezes o Sergio Sampaio com sua canção intitulada “Brasília”, uma das mais belas homenagens que já ouvi pra essa cidade e que pude comprovar de sua veracidade com o meu próprio corpo.

Sinto que em Brasília, de uma forma ou de outra todos por lá já estiveram, afinal não há dia em que ela não esteja presente em algum noticiário de TV. Parece que todos conhecem muito bem os seus dablius e eles e eixos e ilhas como cantou o Sérgio Sampaio. Mas não sabemos dela ao certo e é como se lá nada houvesse de mais interessante, além de corrupção e vagas no serviço público. Todas as descrições e narrações dos amigos que já haviam ido a capital, diziam de como não tinha nada pra fazer naquela cidade, de como as pessoas viviam só para o trabalho e de que a vida daquelas pessoas se resumia a isso: emprego público, casa, televisão, e consequentemente, a solidão do concreto plantado no asfalto. Não estou dizendo que a realidade de lá não passa por aí também, de que a cidade não chegue a sufocar de tão organizada, ouvi a galera falando a respeito disso e percebi que de fato a cidade respira o funcionarismo público e se você não tá inserido nisso você se torna meio que marciano neste lugar. Mas prefiro aqui abrir espaço pra falar que sim, existe vida no interior das vigas de cocreto da Noviça Projetada. Tem maluco pra todo lado minha gente! E isso é maravilhoso! Bom, pelo menos na minha opinião que também sou doido.

Houve uma particularidade em nossa ida a Brasília. Em cada cidade temos uma produção local. No entanto, lá foi diferente. Tínhamos enquanto produtores locais o grupo Liquidificador. Isso para mim aponta uma diferença fundamental na forma com que nos relacionamos com este espaço. Cada integrante do grupo Liquidificador se dividiu em funções dentro da produção e ficou responsável pra correr atrás de apoios, seja de alimentação, pautas, hospedagens, transporte e etc. Já estavamos há um tempo nos hospedando em hotéis, como aconteceu e ainda vai acontecer em outras cidades.

Em Brasília foi bem diferente. Pra começo de conversa ficamos hospedádos na Asa Norte do do plano piloto de Brasília que é complementado pela Asa Sul e Eixo monumental. Dessa vez ficamos hospedádos em um apartamento de um dos integrantes do Liquidificador (Kael, o menino da lua de Brasília, tomara que ele leia essa besteira). Isso para nós deu um certo alívio, hotel é legal mas tem uma hora que cança. Lavamos nossas roupas a mão, estendemos erradamente na sacada do apartamento. Não tinha dia que eu não encontrasse o sindico do prédio que insistia em me dizer que o Kael deveria ligar para ele, pois, haviam reclamações a nosso respeito. Parecia uma espécie de complor do acaso para que apenas eu esbarrasse com o figura, que pra amenizar não tinha um jeito muito amistoso. Primeiro foi por causa da roupa estendida na sacada. Depois ele falou do barulho, mas deixo claro aqui que a culpa foi toda do Kael, que em um surto inflamado ficou arrastando móveis na noite anterior a nossa chegada, antes de sairmos de lá já havia uma reunião marcada na imobiliária pro Kael resolver todas essas pelejas (o detalhe é que ele tinha se mudado há apenas um mês e já ia ser despejado!!!). Mas ouvi dizer que depois que saímos de lá no final ficou tudo bem. O Kael não foi despejado e agora o síndico virou uma espécie de protetor dele no condomínio. É muita doidice mãno.

No mesmo dia em que chegamos fomos visitar o local onde tínhamos o apoio de alimentação (encher a pança) e onde também seria realizada a oficina – Balaio Café. Este espaço foi uma grata surpresa, a comida era incrível, um espaço alternativo e de resistêncial cultural, aberto aos artistas locais e visitantes, undergrande mesmo, a exemplo de que,um tempo antes de chegarmos, o local tinha sido fechado com acusação de que estavam realizando festa de macumba e o som estáva muito alto, como se fosse possível tocar tambor baixinho . Reza uma espécie de lei do silêncio em Brasília. Mas falando em silêncio, não dá pra não falar dos silêncios que ecoaram na sala da casa da Karine (pesssoa humana que conseguiu nosso apoio de alimentação) quando a Alemanha fez 5 x 0 no Brasil. Depois ficou todo mundo meio doido. Bebendo pra esquecer e pra comemorar o encontro de todos os integrantes dos Notáveis e dos Liquidificadores. Fizemos um vídeo incrível nesse dia, não dá pra descrever, futuramente eu publico.

Nossa apresentação do “Cada qual em seu barril” foi no Teatro Goldoni. Um espaço que adoramos, pequeno, aconchegante, e altamente equipado com seus micro refletores espalhados pelo seu teto baixo. A entrada do público foi assim. Sempre adoramos quando tem muita criança pra assistir. Mas acho que pela primeira vez pegamos uma plateia só de adultos. O espetáculo vira outra coisa. o jogo muda. Criança e adultos literalmente jogam de forma diferente. A apresentação começou um pouco fria, mas aos poucos o espetáculo foi crescendo junto com a plateia. Tem que ser assim, pra que a coisa teatro seja boa, atores e público tem que caminhar juntos, com a predisposição do encontro. No final ficamos muito felizes, arrumamos as coisas e partimos pra comer um rodízio de massas. Daí pra frente eu passei a arrotar massa pelos próximos dois dias.

Já a apresentação do “Rir é o melhor remédio” aconteceu no espaço ao lado do Balaio Café. No dia anterior tinha rolado a festa dos Argentinos neste mesmo espaço, muita onda na marola hermano! Os caras tinham despachado a Bélgica e por isso estavam todos empolgados achando que davá. Ainda bem que não deu. Já pensou na encarnação? Tudo bem que com a Alemanha foi o fundo do poço. Mas a garganta do fosso era se a Argentina tivesse ganhado dentro de casa. Chup… Maradona!

O fato é que quando chegamos pra apresentação o espaço tava muito sujo seu menino. Era bagana de cigarro pra tudo que era lado. Recolhemos o lixo com a galera, e aderimos as baganas a dramaturgia. Foi uma apresentação caótica. Mas de um caos criador. Pieriereca e Toli botaram o bloco na rua e exerceram a arte da palhaçaria com louvor, tem dias que fazer teatro é mais gostoso, não tem jeito, eu não sei o que é. “Só sei dizer que foi assim!”. Eu particulamente fiquei muito feliz, minha prima Marina Lira foi assistir e isso pra mim já fez valer minha passagem pela cidade. É sempre bom ver os primos, mas acho que a gente se encontrar foi uma coisa boa para ambos. Não partipei da despedida dela de Belém quando teve que se mudar porquê tava na cena no Maria Sylvia Nunes durante o lançamento da Notável Circulação. E assim foi, pois tinha que ser assim, aproveitamos pra nos dar abraços e beijos de saudade. Engraçado que antes dela se mudar de Belém a gente pouco vinha se falando. Brasília e a ciculação provocou esse encontro. To torcendo muito pela tua felicidade prima. Ainda bem que a vida prega dessas suspresas. Outro detalhe legal da apresentação foi a participação do grupo da oficina de Clown na plateia. É muito bom quando vai o público das oficinas, depois rola um bate papo sobre a linguagem e isso é sempre muito enriquecedor.

A oficina foi de fato uma experiência revigorante. As vezes as coisas são tão belas que não clamam por atenção. Vivi nesta oficina um dos momentos mais bonitos até então dentro das oficina, é uma opinião minha, afinal cada um elege o seu momento. Não direi mais a respeito pois todos terão que esperar o filme que estamos produzindo e pensando juntos durante a viajem pra editar quando voltarmos a Belém. Aprendo muito registrando as imagens da galera e inevitavelmente sou atravessado por isso. Gratidão a todos vocês.

Pra finalizar gostaria de agradecer de todo o coração a notável recepção do grupo Liquidificador. Fomos recebidos em Brasília com muita delicadeza, sorrisos nos rostos e energia na balada. Juro que na hora da partida eu tava com uma sensação de que já conhecia a galera a muito mais tempo e confesso que já estou com saudades. O grupo Liquidificador tem três anos em Brasília. E eles não são tão diferentes de nós (Notáveis Clowns e Dirigível Coletivo de Teatro). O grupo Liquidificador se encontrou na Universidade e saiu de lá para desenhar seus próprios sonhos e devaneios. Inclusive o grupo estaria estreiando seu novo espetáculo “Aquaria” dentro de um mês. Agora Dirigíveis, adivinhem onde ia acontecer esse espetáculo? Pois é, coincidência pouca é bobagem. Eles estavam produzindo um espetáculo pra dentro de uma casa, alugaram o espaço e tudo, o grupo ainda não tem sede, mas tenho certeza que chegam lá, evoé que chegam! Então é o seguinte, tenho que terminar pra não ficar muito grande e não dar muito trabalho pra Raíssa (assessora de imprensa)! Desculpa a demora amigaaa! Notáveis abraços a louca da Karine, negra linda! Ao humor infalível do Kael! Ao torcedor e produtor inveterado Fernando! A Fernanda com seu sorriso que acalenta qualquer um! E a notável dançarina de tecnobrega Isa, égua ela arrasou mesmo, menina tem estalinhos nos pés! Tudo que é bom dura pouco e como diria o Niemeyer “…a vida…a vida é um sopro…”.

por Luciano Lira

Diário de bordo – Notável Cuiabá – Vão querer suco ou refrigerante de jarra?

Notável Circulação

A chegada em Cuiabá estava prevista para o dia 29 de junho, porem uma peripécia da Azul linhas aéreas simplesmente cancelou nosso voo nos relocando para o dia 30, é claro que isso alterou de forma significativa nossa agenda afinal de contas nosso primeiro compromisso nas terras de Mato grosso não era em Cuiabá e sim em Rondonópolis, cidade a 215 km de Cuiabá que liga as cidades do norte ao sul do país no entroncamento das rodovias BR 163 e BR 364 por lá passa a produção agrícola do Brasil, descemos no aeroporto de Cuiabá chegando de Rio Branco no Acre por volta do meio dia, o almoço aconteceu em Cuiabá onde ficamos algumas horas, a hospedagem se deu num hotel no centro apenas para a espera do horário de embarcarmos num ônibus para seguirmos viagem ao nosso destino final as 17: 00h, seguimos para a rodoviária de Cuiabá e após quatro horas de uma viagem cansativa entre muitos caminhões de transporte de soja finalmente conseguimos chegar a Rondonópolis, lá ficamos hospedados bem em frente à rodoviária em um ponto bem alto e um pouco afastado da cidade, a primeira impressão era que as luzes da cidade piscavam pra nós nus chamando para um passeio. Cansados resolvemos não atender ao apelo curioso do viajante que quer explorar o local de chegada, resolvemos dormir cedo, afinal de contas o dia não havia sido fácil.

Logo pela manhã resolvemos dar uma volta na cidade já que depois do almoço tínhamos compromisso na fundação José Sobrinho. Na volta para o hotel durante o almoço ouvi pela primeira vez a pergunta que me acompanhou durante a nossa passagem pelo Mato Grosso à moça do restaurante do hotel ao anotar os pedidos sempre dizia não saber ao certo de que forma a prefeitura estava acordando com o hotel a nossa alimentação e se tínhamos direito a suco ou refrigerante de jarra a pergunta me intrigava por diversos motivos o primeiro deles era: Qual a diferença? O que é refrigerante de jarra? Minha intuição me dizia que essa pergunta de alguma forma iria traduzir a nossa passagem por ali…

Após o almoço seguimos para o nosso primeiro compromisso na cidade a realização da nossa oficina na fundação José Sobrinho, um espaço muito interessante onde funcionam diversas atividades culturais o espaço é coordenado pelo Maurílio figura generosa e comprometida com a cultura local que esteve sempre pronto a nos auxiliar, a grata surpresa da oficina foi o numero de participantes que era de 36 pessoas infelizmente a oficina só comportava 20 pessoas, mas a carência de atividades e intercambio daquela galera não nos permitia dispensar ninguém no primeiro dia dividimos a turma em dois e o Artur ficou com os alunos adolescentes e eu com os adultos, o resultado foi muito agradável. Dois dias muito intensos de troca e experimentação, e dois dias em que ouvimos mais uma vez: vão querer suco ou refrigerante de jarra? Queria eu ter coragem de pedir esse tal refrigerante de jarra…

Finalmente fomos ao nosso segundo compromisso na cidade no dia 2 de julho, fizemos a apresentação do Cada qual em seu barril as 20h no Casario, só pra vocês saberem o espaço e a sede da secretaria de cultura de Rondonópolis e fica em frente ao rio vermelho, um lugar lindo e tranquilo que abriga uma espécie de feira de artesanato local e uma pequena galeria com exposição de obras de arte, porém nem tudo são flores infelizmente o local ainda não tem uma sala apropriada para apresentação de um espetáculo de teatro, mas a secretaria carinhosamente montou uma estrutura para minimizar o problema, o palco foi montado a céu aberto com estrutura de luz e som e cerca de 400 cadeiras foram colocadas para o público, que alias foi de uma generosidade incrível, começou chegar muito cedo, por volta das 18h45min já se aproximavam silenciosamente e ocupavam as cadeiras, às 19h30min já estávamos com todas as cadeiras ocupadas e uma grande quantidade de pessoas se acomodando em pé, as 20h00min começamos a apresentação e a plateia não se fez de rogada jogou o tempo todo e foi tecendo de forma muito generosa as possibilidades do espetáculo conosco, uma plateia muito especial a de Rondonópolis divertiu-se e nos divertiu naquela noite.

Bom nossa missão em Rondonópolis chegava ao fim, no dia seguinte voltaríamos a Cuiabá para uma apresentação do Rir é o melhor remédio em praça pública e depois seguirmos viagem pra Brasília, nossa passagem rodoviária com destino a Cuiabá estava da marcada pras 10h 00min, pois nossa apresentação estava marcada para as 16h00min na praça da república acontece que por graça e obra de algum tramite burocrático nossas passagens não foram marcadas oque acarretou outro transtorno na nossa agenda já que não chegaríamos a tempo para a apresentação, problemas na chegada problemas na saída … Nossa passagem por Mato Grosso estava se tornando um fardo pesado, felizmente nessas horas Nossa Senhora dos palhaços aflitos da uma mãozinha e sensibiliza os parceiros e manda pra gente um anjo chamado Maurílio que não mediu esforços para resolver o problema e junto com o secretario de cultura senhor Luciano acharam uma solução pro problema fretando uma van que nos conduziu até a praça em Cuiabá, após duas horas de incertezas e muita cantoria na sarjeta da rodoviária finalmente seguimos nosso destino rumo a praça, não preciso dizer que a viagem foi uma correria louca, tínhamos que fazer o percurso em três horas pra chegarmos a tempo  é obvio que chegamos em cima da hora numa pressa absurda todos quebrados da correria da estrada  com fome e sem tempo para almoçar fizemos um lanche na rua mesmo e depois fomos nos maquiar, a fome as dores no corpo o cansaço eram motivos de sobra para cancelarmos a apresentação, mas é claro que isso estava fora de cogitação, fomos pra cena apesar de toda a adversidade encontrada e  apresentamos com as forças que nos restava (confesso não era muita), a apresentação foi boa? Não! Foi ruim? Também não… Como foi então? Foi como o refrigerante de Jarra que tomei coragem e resolvi aceitar no ultimo dia, não foi nada extraordinário apenas um guaraná servido numa jarra e sem gás.

Até a próxima 😉
João Guilherme.

Diário de Bordo – Rio Branco

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ImagemO Acre existe sim e é um lugar encantador! De cara, duas curiosidades me surpreenderam: a primeira é que Rio Branco tem duas horas de diferença no fuso horário em relação ao horário de Brasília, ou seja, em quanto todo mundo já ta almoçando às 12h, lá serão 10h da manhã e ainda vai te sobrar muito tempo; outra é que repentinamente aparece uma frente fria e você pensa que está em Londres, nos nossos últimos dias lá pegamos 13Cº, com sensação térmica de 8Cº. E isso é um barato! Uma cidade no Norte, onde você tem a variação do calor fritante que abala toda a nossa região.

ImagemEm Rio Branco, apresentamos os três espetáculos que estão na nossa bagagem. Começamos com o Fernão no teatro Recreio, em frente a Gameleira. Ah sim, o que é a gameleira? São árvores centenárias, com 20m de altura e 2,5m de diâmetro, que estão espalhadas pela cidade, nesse lugar exatamente existem duas que marcam a história da cidade, porque em meados de 1822 chamaram a atenção do cearense Neutel Maia que estava explorando as terras acrianas e decidiu abrir um seringal ali mesmo e foi iniciada a construção de um vilarejo e deu origem a cidade atual, anos depois estas mesmas Gameleiras foram testemunhas dos combates travados entre revolucionários Acreanos e tropas Bolivianas. Voltando ao espetáculo: Tivemos uma plateia ótima, super generosa que se divertiu do começo ao fim, o espetáculo foi bom como até então ainda não tinha sido, lembrando sempre que esse espetáculo está em processo de construção, ainda há muito à se fazer por ele.

ImagemNa sequencia, teve o Rir em frente ao Novo Mercado Velho, no centro histórico da cidade, um lugar lindo, praça lotada, umas 150 pessoas na tradicional bolha do teatro de rua, foi um sucesso! Acho que posso eleger essa como a melhor apresentação do Rir até agora. E há um detalhe fundamental: FLAMBOU! Finalmente o livro do Pieriereca flambou! Já estávamos na quinta cidade e esse truque do “livro flambado” ainda não tinha funcionado, mas dessa vez quebrou o tabu!

E por fim, teve o Cada Qual também no Teatro Recreio, e nesse dia estávamos com medo, primeiro porque nos dois dias anteriores já tinha dado tudo muito certo então nesse dia alguma coisa ia dá errado, segundo porque fez um frio de lascar e estávamos achando que ninguém ia sair de casa por causa do frio, para esquentar comemos uma coisa bem leve antes do espetáculos: rabada no tucupi – hahaha- . Mas deu tudo certo, casa lotada, Brasil eliminou o Chile da Copa, e por uma coincidência do destino os meninos pegam um voluntário da plateia que era Chileno, me deu até pena do rapaz, todo mundo fazendo chacota dele, mas foi tudo pelo amor a camisa e ele levou na esportiva o sarro.

Tivemos um transtorno com a Azul que cancelou nosso voo, e quero registrar aqui minha indignação: você se programa, constrói uma agenda e a empresa aérea vêm dois dias antes e te avisa que teu voo foi cancelado e você terá que viajar no outro dia de madrugada, isso é um desrespeito, por conta disso perdemos um dia de oficina em Cuiabá, porém ficamos com um dia livre no Acre, e já que estávamos nessa situação mesmo, alugamos um carro e demos um pulo lá na Bolívia. Mais uma viagem internacional pro nosso currículo hahaha, aproveitamos também para conhecer Brasileia e Xapuri, onde viveu e morreu Chico Mendes.

ImagemNossa estadia em terras acrianas foi maravilhosa, todos nós nos apaixonamos pela cidade. Desejo voltar a Rio Branco, depois de ser tão bem recebida por todos. Ah, já ia esquecendo-me de contar que fomos a uma balada super ótima, a “Loft” e tivemos o prazer de assistir um guitarrista fenomenal tocando. Só tive boas sensações e bons sentimentos sobre a cidade, agora ficam as boas lembranças e a vontade de voltar para curtir tudo àquilo que a cidade oferece e em cinco dias não é possível aproveitar. Obrigado pelo carinho de todos em especial à Fundação Elias Mansour e todo seu corpo de funcionários que nos recebeu de braços abertos, e fez com que nossa passagem fosse um acontecimento inesquecível para todos nós.

 

Por Adhara Belo em 01/07/2014

 

 

 

 

 

 

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Diário de bordo 1

#NotávelManausSaída de Clowns na Oficina "Onde eu meto meu nariz" em Manaus

Chegamos à cidade de Manaus e ficamos hospedados em um espaço muito massa chamado “Artcena”. Este lugar é a sede do grupo de teatro, que funciona como escola de teatro e dança e produtora. Neste mesmo espaço ministramos a oficina “Onde eu meto o meu nariz”. O público da oficina foi de atores, estudantes de arte e profissionais em geral, com direito a uma saída de Clown com a turma pelo Largo de São Sebastião, local em que fica localizado o imponente Teatro Amazonas. A apresentação do “Cada Qual em seu Barril” foi bem difícil, dia de muita chuva na cidade, trânsito parado, demoramos a chegar ao teatro, mas no fim todos a postos e merda, lá fomos nós, catapruuuuuum! A apresentação do “Rir é o melhor remédio” foi incrível, fizemos num palco armado onde mais cedo estava sendo projetado o jogo do Brasil x Croácia. Com a praça lotada, opiniões a parte sobre a copa no Brasil, tivemos uma noite muito especial na cidade Manaura, afinal público é público, mais de 200 pessoas. Além do que Toli e Pierierica estava naqueles dias em que mesmo quando tudo dá errado a coisa só melhora e o termômetro são os sorrisos e gargalhadas. O nosso “Fernão Clownpreto Gaivota” aconteceu na sala de espetáculos do Centro de Convivência Magdalena Daou. Foi uma apresentação divertida, tivemos um problema de público inicialmente, mas resolvemos com um cortejo pelo espaço. Pra concluir, resta dizer que nossa passagem por Manaus foi muito quente e divertida (o lugar realmente pega fogo de tão quente) compartilhamos de nossa arte e pra compensar conhecemos pessoas e profissionais que abrilhantam ainda mais nosso ofício. E foi assim que partimos pra Macapá, rumo ao Oiapoque, mas isso é outra história.

Luciano Lira