Diário de bordo – Rio de Janeiro

Chegamos ao Rio de Janeiro, cidade maravilhosa! Particularmente, adoro essa cidade, acho o Rio cheio de encantos e boas energias, sem contar a paisagem da cidade que é incrível, aí me lembro da primeira vez que fui ao Rio e pensei: “É exatamente igual a TV!” HAHAHAHA. Só que nós não fomos pra esse Rio de praia, calor e sol. Fomos para o alto da colina, lá onde ninguém tem coragem de subir, mas é sempre necessitado de bons desbravadores. Um lugar frio e mais longe que o reino de ‘Tão tão distante’. Só pra constar até agora eu ainda não entendi direito a geografia de onde estávamos, mas era mais ou menos assim: Era uma reserva ambiental na Colônia que fica dentro de Taquara, que é sub bairro de Jacarepagua, um bairro do Rio de Janeiro. Que lugar é esse? Era o Museu do Bispo do Rosário. Passei meses ouvindo o nome desse museu e sua localidade, mas era óbvio que eu não tinha noção de onde era e principalmente do que esperar desse lugar. Depois de duas horas de carro do Galeão até à Colônia, finalmente chegamos no topo da colina, e em meio à uma festa junina, conhecemos o lugar onde iríamos dormir e ministrar a oficina.foto rio 2

Para melhor compreensão é preciso explicar quem foi o homem que dá nome ao lugar: O Bispo do Rosário era sergipano, negro, pobre e no percurso de sua vida foi marinheiro, boxeador e empregado doméstico. Depois de ter uma alucinação e sair da casa de seu patrão no meio da noite para ir se apresentar à Igreja da Candelária, alegando ser um enviado de Deus, foi detido pela polícia e enviado para Colônia Juliano Moreira com o diagnóstico de “esquizofrênico – paranoico”. Lá, ele viveu 50 anos, em um dado momento ele começou a confeccionar objetos com materiais oriundos do lixo, ele desfazia seus próprios uniformes de interno para ter linha e poder construir suas obras, essa era forma dele de canalizar a loucura que o habitava.O Bispo foi considerado um vanguardista e seus trabalhos, que, quando descobertos, foram comparados com os de Duchamp.

Onde a gente tava, a final de contas? Na Colônia Juliano Moreira, claro que não é mais o mesmo prédio onde o Bispo ficou, desse aí só existem as ruínas. Mais especificamente, ficamos hospedados no Centro de Convivência, um lugar onde os internos, nos horários previstos, praticam atividades artísticas. A experiência de estar ali foi marcante, me perdi no atelier contemplando as obras produzidas por eles, coisas lindas e impactantes, coisas assustadoras e ao mesmo tempo amáveis. A arte naquele lugar é uma válvula de escape. Era notável a satisfação deles de estarem ali, todos pareciam estar muito a vontade naquele lugar.

foto5 foto3

No dia 22 (terça) teve Rir É O Melhor Remédio lá em frente ao Museu, num anfiteatro em desuso, porém bonito e confortável. Tínhamos uma plateia cheia e bem diversificada, o espetáculo foi divertidíssimo, tudo ocorreu bem e sem nenhum problema técnico. Teve um fato engraçado, de um garoto autista que entrou na cena e meteu a mão no frango do Toli pra saber se era de verdade e o Toli acabou trocando uma asa de frango por um saco de pipocas. Na terça mesmo partimos rumo a Copacabana, pois no outro dia tinha Cada Qual no Teatro e ainda se queria curtir um pouquinho da praia pela manhã.

Na quarta a noite teve Cada Qual Em Seu Barril, no Instituto do Ator, na Lapa. Pegamos um trânsito absurdo e chegamos lá em cima do lance. E às 20h não tinha absolutamente nenhuma pessoa na plateia, foi frustrante. Sem contar conversa, peguei nosso material gráfico, chamei o Jeff, nosso produtor local no Rio, e fomos para a praça em frente abordar transeuntes e possíveis moradores do bairro, pedindo para que eles fossem assistir ao espetáculo. Logo mais desceram Toli e Pierierieca para nos ajudar nessa empreitada de conseguir público. A missão foi árdua, mas conseguimos, às 20:40 depois de muito esforço e gastar muito nosso latim, tinham cerca de 30 pessoas na plateia esperando para o espetáculo 

foto rio 1começar. O início do espetáculo foi bem frio, mas melhorou e no final conquistou vários elogios.

Ah, já ia esquecendo de contar que quando estávamos na Colônia ainda, eu e o Luciano postamos o projeto do ano que vem: Notável Marajó – navegando em sorrisos pra concorrer no prêmio Carequinha. Foi uma correria louca pra conseguir chegar nos correios do Shopping da Barra, nos 45 do segundo tempo, enviamos nossa proposta pra Funarte, agora bora vê se ano que vêm vou estar aqui escrevendo sobre Breves ou sobre Melgaço HAHAHAHA.

Preciso registrar aqui que tenho um apreço especial pelo Rio, porque pra mim é uma cidade onde revejo amigos. A essa altura do campeonato chegar em um lugar e vê rostos familiares era tudo que eu queria, já tem um mês e meio que estamos na estrada é bom ouvir outras vozes falando ‘égua’, ter pessoas com quem você têm histórias em comum, revisitar o passado, rever as fotos, relembrar daqueles dias lá na cidade velha. Isso dá um aperto no coração, mas é tão reconfortante à alma. Me alimentei do amor dos meus amigos, bebi cerveja gelada num frio desgraçado só porque eu queria estar com eles, venci a gripe, o cansaço, o sono e me estraguei mais um pouco, porque só havia esses dias para fazer isso. Se eu me sinto assim, imagina vocês que já moram longe de casa a um tempo e tanto, espero ter levado um pedaçinho de Belém para aquecê-los desse frio que está aí no Rio.

Acho que no fim das contas: o Rio de Janeiro continua lindo.

                                                                                                Adhara Belo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s